Grupo Solidário

801_0152.JPGEm 2000 um grupo se reuniu informalmente na Clínica Nossa Senhora da Conceição e no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora da Conceição, e iniciou um trabalho de oficinas de arte para capacitação das pessoas que viviam com HIV/AIDS e estavam à margem da sociedade. COOPERATIVA GRUPO SOLIDARIO

Com a necessidade de maior profissionalização, em novembro de 2005, foi criada a Cooperativa Grupo Solidário – 1ª Cooperativa de pessoas vivendo com HIV/AIDS em risco social, de que se tem notícia no Brasil; a qual estimula ações de geração de renda e oportunidade de trabalho, sob os princípios do cooperativismo, da economia solidária e da auto-gestão.

O trabalho da Cooperativa Grupo Solidário está voltado para a produção e reciclagem de papéis, e conta com o diferencial de promover a reinserção social, a cidadania, melhoria da auto-estima e aumento da qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS, e que dele participam.

Em parceria com o Banco Central, a reciclagem do picote de papel-moeda em Minas Gerais, utilizado como matéria-prima principal, é um processo inovador.

Beneficia diretamente 10 famílias.

Nossa trajetória tem sido coroada com bons resultados, principalmente graças ao esforço dos próprios cooperados, que já assimilaram a importância do trabalho coletivo criativo e responsável, orientado para a busca incessante de novas oportunidades.

Nesse processo de construção a ASAS conta com a parceria de diversas instituições, formando um elo de co-responsabilidade entre a sociedade civil, organizações governamentais e iniciativa privada, na busca de soluções para a melhoria da qualidade de vida das pessoas assistidas:

  • Distribuição mensal da renda auferida entre os cooperados.
  • Abertura de novos postos de exposição e venda dos produtos:
  • Feira de Artesanato do Mineirinho;
  • Lojas da região central de Belo Horizonte.
  • Cooperados atingem a condição de pequenos empreendedores e multiplicadores da proposta ampliação e replicação do projeto.
  • Criação da “caixinha” para pequenos empréstimos pessoais facilitados para os cooperados.
  • Obtenção do 1º financiamento pela Secretaria Estadual de Saúde de MG para ampliação do número de cooperados. PROJETO RECICLANDO PAPEIS E VIDAS Com o objetivo de aumentar o número de portadores qualificados profissionalmente, bem como divulgação e comercialização dos produtos fabricados. Beneficiando diretamente mais 20 famílias. (em andamento)
  • Inscrição e compra de um stand para participar da XX Feira Nacional do Artesanato em BH/MG, em novembro.
  • Convite da Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição, vinculada à Arquidiocese de Belo Horizonte, para ingressarmos na Rede de Assistência e Apoio às pessoas vivendo com HIV/Aids. Serão oferecidos aos usuários da Casa de Apoio os serviços disponíveis na ASAS.

Depoimentos

“Antes de entrar para o Grupo Solidário, eu me sentia uma pessoa inválida, incapaz, não conseguia acabar com o preconceito que eu mesmo tinha dentro de mim. Mas foi só entrar aqui para as coisas começarem a mudar. Aprendi a encarar a doença de frente e a andar de cabeça erguida. Converso de igual pra igual com todo mundo, aqui todos me entendem. Sinto-me bem! Passei a me conhecer de verdade, a gostar mais de mim mesmo e aprendi a superar o preconceito. Não tenho mais que me esconder porque tenho o vírus da AIDS.
Eu hoje mostro minha cara, não sou mais como aquelas imagens destorcidas com iniciais na televisão para esconder a pessoa quando o assunto é a AIDS. Eu tenho uma identidade. Não me escondo mais, e isso tudo graças ao Grupo Solidário. As pessoas têm que gostar de mim do jeito que eu sou. E se não gostam, não servem para serem meus amigos. Além de participar das oficinas de papel, biscuit, bijouterias e agora de artigos de natal, ainda freqüento a academia Movimento Saúde três vezes por semana. Sinto-me muito bem disposto. Minha carga viral está indetectável, meu CD4 acima de 600, tudo na minha vida melhorou. Só lembro que tenho o vírus da AIDS quando vou buscar o resultado de algum exame. Mesmo assim, vejo os resultados e penso que posso ficar melhor ainda, e aí me esforço mais.
Outro diferencial pra mim é o atendimento. Se você vai a um médico, ele te examina, conversa com você rapidamente e às vezes nem dá tempo de tirar dúvidas porque essas consultas não passam de uns 20 minutos, geralmente. Já no Grupo Solidário você conversa sobre o tratamento, sobre a medicação, aprende a entender os exames, interpretar os resultados e tem todo o apoio que precisar. Foi assim que comecei a entender tudo o que acontecia comigo, e hoje, posso ajudar a controlar melhor o meu tratamento.Antes de entrar para o Grupo, minha vida estava totalmente perdida. Tive toxoplasmose e fui aposentado porque essa doença afetou minha memória. Sentia-me completamente inútil. Agora sei que não sou. Participo de todas as oficinas que tem aqui e aprendo um pouco de cada coisa. Eu cresci e amadureci, e hoje sou uma pessoa mais feliz também.”
Francisco Adalton Aleixo da Mota, 54 anos. Reproduzido do Informativo do Projeto Ammor, Janeiro, 2007

Francisco Adalton Aleixo da Mota

“Eu, V.G.S. venho com muito carinho informar que, quando eu conheci o projeto Grupo Solidário, me encontrava muito distante do meu ser e da minha vida, pois entrei naquela de achar que a vida não tinha mais valor, só pensava em doença, em HIV e não me importava com mais nada. Quando peguei o diagnóstico positivo, ao invés de começar o tratamento eu fui embora para a roça. Queria morrer bem longe da minha família, achava que era o fim. Ai, fiquei muito doente, voltei e fui internado no Hospital Eduardo de Menezes, com 35 quilos. E lá descobri que não era o fim, que haviam grupos que podiam me ajudar.
Quando eu entrei para o Grupo Solidário não mudou de repente, até hoje eu tenho problemas. Mas eu, em conjunto com a Patrícia que foi a grande responsável por tudo e até hoje é, consegui sair das drogas que foi o mais importante. Me sinto muito feliz em estar no grupo até hoje. Cinco anos bem vividos. Ass: V.G.S., 21/09/2005, 19h.”
V.G.S. hoje tem carga viral indetectável e CD4 acima de 300, e saiu da rua. Reproduzido do Informativo do Projeto Ammor, Janeiro, 2007

V.G.S.

“Antes de entrar para o Grupo eu era muito nervosa, e vivia estressada. Agora estou muito mais calma, minha vida melhorou muito. Participo das oficinas de artesanato, aprendo bastante aqui. Todo mundo é unido! E quando não venho sinto falta, fico triste. Os amigos que fiz são maravilhosos.”
Diva Auxiliadora Corrêa, 53, participa do Grupo Solidário há 5 anos. Reproduzido do Informativo do Projeto Ammor, Janeiro, 2007

Diva Auxiliadora

“Minha vida estava muito difícil há dois anos. Eu vivia deprimida e não conseguia aceitar que tinha o vírus HIV. Mas aí conheci o Grupo Solidário e minha vida mudou radicalmente. Aprendi a fazer muitas coisas, a gostar de mim, a me aceitar e hoje vivo muito mais feliz.”
Maria Aparecida Ferreira, participa da Cooperativa Grupo Solidário. Reproduzido do Informativo do Projeto Ammor, Janeiro, 2007

Maria Aparecida

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